Uphill Survivor  FINAL

 Essa foi uma frase bastante falada nos bastidores da Uphill,  quase uma premissa.

Mas como tenho um compromisso sério com vocês,  mesmo pensando que seja um pouco difícil dividir as emoções de um evento tão especial apenas com palavras,  juro que tentarei passar essa vibe.

Tive uma noite de sono bem esquisita e no final das contas levantei umas 3:30am, meia hora mais cedo do que deveria. O café da manha seria às 4:30 e a saída às 5:30 pois tínhamos que pegar um transfer para Treviso, local da largada.

Dificilmente planejo e não mudo alguma coisa em cima da hora, desta vez não foi diferente:  pensei em largar com cinto de hidratação mas resolvi correr apenas com uma garrafa de mão, um pacotinho de Oreo dentro do top e as balinhas carbo Shot Bloks.

sn

Não me julguem, mas em prova longa é muito delícia e quase orgástico se deliciar com alguma guloseima que a gente tanto ama, ainda mais quando o momento é aquele onde a bolachinha não vai imediatamente virar gordura na bundinha!

Na sacolinha de Special Needs  coloquei BCAA, Advil, OB, Oreo e mais balinhas ou seja de guloseima eu tava BOA!

Nos momentos antes das largadas das provas sinto uma coisa esquisita e prefiro não interagir, então o transfer é sempre algo que me chateia, porém nesse caso como estava cercada de gente querida e legal o stress foi um pouco menor.

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Chegamos na pequena cidade de Treviso e apesar do frio,  da fina garoa e da neblina, sentia uma energia sem igual. Era tudo muito mágico e olhem que não sou dessas que vê magia em tudo

Alguns dias antes da prova, a x3M (organizadora) pediu por email para que cada corredor escolhesse uma música, e para nossa surpresa tratava-se de mais uma delicadeza da parte deles: o setlist da largada era com as músicas que cada um de nós indicou.então ouvia-se New Order, Florence & The Machine e etc.

Já tornava tudo mais empolgante!

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Minutos antes de tocar a buzina todo mundo se abraçava e desejava boa prova, conhecidos e desconhecidos como se fossem amigos de infância e todo mundo na mesma energia incrível que aquele lugar proporcionava.

Então começou a tocar Highway to hell e a os Garmins disparavam!

Como disse lá em cima, não sou dessas que vê magia em tudo, mas preciso contar uma coisa ridícula que aconteceu: escorreu lagriminha de felicidade nos primeiros metros da prova. Isso NUNCA me aconteceu, mas não consegui segurar a onda do quão maravilhoso era estar naquele lugar.

Agradeci muito a Deus por estar ali, com aquelas pessoas e  fazendo o que tanto amo na vida que é correr.

Ridícula, eu sei.

Enfim, os primeiros km foram na lama (Xterra style), a cereja do bolo para compor nosso novo visual de prova. E esses poucos km bastaram pra acabar com toda a paquitagem das belíssimas  peças coloridas MIZUNO que todo mundo coordenou para compor o look Uphill! Achei sensacional, foi bom pra largar de mimimi lembrar que estávamos numa batalha:

contra nós mesmos e contra a montanha.

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Como de costume, me aproximei de algumas pessoas na tentativa de conseguir encaixar o pace com alguma delas, até que lá pelo km 8 consegui fazer isso com a Karina Brito, triatleta casca grossa e querida do RJ.

Estávamos #paunogato e lado a lado.

Rimos, demos cotoveladas uma na outra, fomos ultrapassadas e ultrapassamos (inclusive muitos caras!), nos ajudamos, ora eu falava que estávamos mto forte, ora a Karina me alertava pra gente maneirar.

No começo da prova muita subida mas tb algumas descidas, e como sou ruim em descer foi muito bom estar com a Karina, passamos por  lugares onde fomos aplaudidas e as pessoas gritavam Olhem, são mulheres!!!, foi muito muito bom correr em dupla com ela!

Passamos os 21km com 1:50 tranquilonas. No final de uma pirambinha no km 22 era o Special Point, onde teríamos  acesso às sacolinhas de Special Needs.

Foi maravilhoso encontrar a Mari Pires (aka Mizuno) e as meninas da imprensa com cartazes na mão escrito #paunogato e #chickonfire!

O Edu tb da Mizuno fez a gentileza de correr alguns metros do meu lado para dar a sacola com as coisas e a primeira delas que peguei foi o outro saquinho de Oreo que deixei para comer no final da prova, peguei tb o Advil pois senti algumas fisgadas na sola do pé e algum BCAA

Segui em frente ainda com a Karina e percebi que ali as subidas começavam a apertar. Comi duas bolachinhas e segui em frente.

Não gosto nada do momento de desgarrar pois fico insegura e quase desesperada. Mas engoli o choro e pensei que depois de tantos dias indo dormir antes da minha filha e acordando ainda de noite pra treinar, tantas festas que não fui e tantas pessoas legais que dei o cano, aquela era a hora de fazer tudo valer à pena!

Sei que sou forte na subida e não pretendia dar menos do que meu máximo, não pretendia não chegar no limite de força e assim o fiz.

Estava sozinha na estrada, chovia fino no rosto e foi ali (mais ou menos no km 30) onde as pessoas começam a perder força que senti um lance espiritual fortíssimo acontecendo. Também não sou dessas cheia de sensibilidade e tal, mas estava claro que o que tava acontecendo transpassava a barreira do esforço físico.

Só queria que aquela chuva e aquele vento levassem tudo de ruim que senti e pensei nas últimas semanas, me lembrei pouco das pernas e coração reclamando da dureza das subidas,  nas horas que isso vinha à tona  pedia força e pensava numa coisa muito importante que aprendi e jamais esquecerei: subida a gente constrói.

Passei por umas 4 mulheres e mais uns 4 homensE fui assim, devaneando, correndo e andando até o km 38.

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O último treino que fiz pra Uphill foi no Pico do Jaraguá com meu amigo Marcel Pracidelle e adivinhem QUEM encontrei no sufrimento dos últimos kilômetros?

O próprio.

Vi um casal andando lá na frente, era o Marcel e a  Dani Santarosa então seguimos numa power caminhada juntos até que quando vi estávamos eu e Marcel à sós naquele cenário lindo e assustador.

Quando víamos as malditas hortênsias e uma MEGA INCLINACÃO, o Marcel falava: Olha isso!

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Eu retrucava: Não olha, só anda!

E assim fomos, não aguentava mais ver as flores, minha lombar gritava e tava toda empenada, aquela viagem espiritual maravilhosa deu lugar a um horrível cansaço.

Apesar de estar muito bem hidratada e alimentada (aliás a banana que peguei num posto de hidra foi fundamental já que nessas horas já não tinha mais Oreo nem nada!) senti muito frio e o corpo estava inteiro duro travado.

Não consegui mais nem raciocinar nem acompanhar o Garmim, Marcel foi controlando o tempo e falando quanto faltava. Eu tava tão acabada que quando ele me disse que estávamos no km 38 e tentei fazer a conta de quantos km faltavam, me liguei que estava emburrecida e não conseguia fazer sequer essa conta primária de subtração!

Foram os piores 3km da vida.

Olhei no gráfico do NOME DE PEITO e avisei que os últimos metros seriam de plano. Chegamos no começo desse trecho, pedi um minutinho pro Marcel pra eu dar uma desempenada na lombar que ficou mto tempo inclinada e socamos a bota.

Quer dizer, mais ou menos, foi meio fazer força e não sair do lugar. O vento contra e gelado tava puxado e não dava pra ver nada na frente, a linha de chegada não dava nem sinal por causa da neblina mas podíamos ouvir a música.

Eu não fazia idéia de qual era minha colocação, o Marcel disse quinto lugar mas eu nem dei mta importância

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Chegamos juntos, alinhados e com 04:10 de prova.

No dia anterior mal consegui encarar as outras corredoras (principalmente as do Sul) e seus shapes fininhos, esperava tomar o maior pau da vida mas meio que sem querer (e por 2 minutos a mais da 3 colocada com 04:08)  fiquei em 4 lugar no ranking feminino.

Juro por Deus, nunca pensei. O que mais queria era completar a prova em menos de 6 horasmas a vida foi muito daora comigo e acabei indo melhor.

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Bem, primeira coisa que fiz quando cheguei no Resort foi colocar o belíssimo biquini e me lançar na piscina quente com os outros corredores que haviam chegado. Sentia MUITO frio, fiquei umas duas horas sofrendo até conseguir estabilizar a temperatura do meu corpo.

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Mas foi muita paquitagem, champa e queijos na piscinacorredores curtindo um barato lisérgico da endorfinaqueria que ali não acabasse nunca!

paquita

E de noite houve a premiação:

Leonardo Maciel – 03:31:11

Mirlene Picin 03:48:34

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E muita paquitagem!

Galere toda feliz, destruída e de boca roxa de tanto vinho.

A canja de galinha foi um abraço de mãe que todos nós recebemos no jantar, o prato perfeito!

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E foi isso.

Conheci pessoas maravilhosas, me senti princesa com o tratamento que a Mizuno deu pra todos nós, fiz amigas maravilhosas (especialmente no Rio) e com certeza voltei desta viagem me sentindo muito mais forte do que quando cheguei.

Foi muito importante fisicamente, mentalmente e principalmente espiritualmente. Conheci uma força que não imaginava ter e sinto que deixei na montanha tudo de ruim que estava guardando aqui dentro.

Sem Título-13

Não estive sozinha nesses últimos meses,  muita gente deu suporte e incentivou no projeto #uphillsurvivor.

Só tenho que agradecer!

À vocês amigas e leitoras pelo correpaula nosso de cada dia e enquanto corria lembrei de cada uma das mensagens fofas que vcs mandaram.

Obrigada à minha família, ao Iazaldir Feitoza que me treinou pra esse desafio e me ensinou muitas coisas legais, as meninas do Núcleo Aventura pelo suporte nas últimas semanas, Bia e Camila (BioSanté Pilates) as deusas do pilates, Fe e Andreza (Fisionoesporte) que cuidam de mim como ninguém, ao #teamdigital (Mari, Re, Danilo e Luiz) do Iguatemi por me aguentarem todos os dias e principalmente minha chefe Juliana Ferreira que me deixou faltar num dia tão importante, ao Cição que me ajudou c o atestado médico kkkkk, ao Brasília que agora é meu nutri e me ajudou a ficar com a bundinha seca pra subir a serra,  Fernanda Carvalho da Triathon Academia que me convidou a treinar lá, galera da X3M (Rapha te adoro e obrigada pelo The Killers na estrada!!) pela excelência na entrega deste projeto maravilhoso e principalmente ao pessoal da Mizuno que neste ano de 2013 foi mais parceira do que nunca e abraçou todas as minhas maluquices sem pestanejar e claro, me convidou pra Mizuno Uphill!

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E obrigada à todos os Survivors por existirem!!!

Nunca esquecerei de vocês.

xx

FYI, o Ranking:

Masculino

1 – Leonardo Maciel – 3:31:11
2 – Paulo Lacerda – 3:43:42
3 – Carlos Kawasaki – 3:46:46
4 – Jacques Fernandes – 3:47:27
5 – Henrique Villela – 3:53:23
6 – Frederico Mendes – 3:54:10
7 – Zé Lúcio Cardim – 3:59:14
8 – Fabrízio Tinoco – 4:02:10
9 – Marcel Pracidelle – 4:10:02
10 – Everton Larrondo – 4:13:48
11 – Marcos Freddo – 4:15:07
12- Daniel Gohl – 4:15:26
13 – Flávio Simão – 4:18:13
14 – Orlando Venâncio – 4:28:29
15 – Gustavo Tubino – 4:32:51
16 Fábio Pierry 4:37:40
17 Sergio Xavier 4:40:15
18 Regis Dias 4:41:51
19 Sergio Rocha 4:41:51
20 Alexandre Chaves 4:43:28
21 Herivelto Gomes 4:43:28
22 Roger De Abreu 4:46:24
23 Darvin Ribas 4:47:19
24 Eugênio Frederico 4:49:32
25 Marcello Lauer 4:49:35
26 Luiz Bastos 4:49:59
27 Harry Thomas Jr 4:51:16
28 Sergio Crespo 5:16:15
29 Robson Souto 5:16:15
30 – Ricardo Nishizaki 5:23:42
31 Rodrigo Da Fonseca 5:23:42
32 – Iuri Totti 5:37:38

Feminino

1 – Mirlene Picin – 3:48:34
2 – Marina Richwin – 3:54:24
3 – Eloiza Testolin – 4:08:18
4 Paula Narvaez 4:10:02
5 Daniela Santarosa 4:12:14
6 Cláudia Webber 4:20:10
7 Monica Moncada 4:22:48
8 Karina Brito 4:28:16
9 Vania Wong 4:28:57
10 Adriana Gaspar 4:29:53
11 Claudia Maragliano 4:36:02
12 Karine César 4:49:43
13 Giselle De La Higuera 4:59:47
14 Jacke Reis 4:59:47
15 Niva Mello 5:03:02
16 Betina Balletta 5:18:53
17 Patricia Nemoto 5:22:31
18 Yara Achôa 5:37:38

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