XTERRA ENDURANCE 50K 2013 POR PAULA

Quando um detalhe muda tudo.

Cheguei na ilha injuriada e considerando a hipótese de  – sem o menor peso na consciência desistir de correr os 50k do XTerra de Ilha Bela.

Quando soube que a largada seria às 14:00, decidi abandonar a missão Maratona do Rio e me jogar nos 50k novamente. Diziam que o percurso era muito duro, a tal subida de Castelhanos uma desgraça mas que desta vez não pegaria tanto a noite e seria mais OK.

 

Só que não! Na véspera da prova a X3M, organizadora da prova, decidiu mudar o horário tanto dos 80 quanto dos 50k:

9:30am e 16:00 respectivamente.

Enlouqueci, afinal nunca havia NA VIDA corrido com head lamp mas a decisão era minha. Percebi que dessa vez as opiniões de amigos e entes queridos não me ajudava em nada, teria que escolher sozinha entre aceitar e respeitar os medos ou desafiá-los.

Adivinhem

Acordei Sábado decidida que não arregaria!

Senti que se fizesse isso jamais me perdoaria e por mais que estivesse pedindo pra Deus me orientar,  não lembro de ter recebido nenhum sinal pra não correr essa prova.

Água, jujubas do Mickey, chocolate Snickers, purê de batata da vovó Dirce, algumas cápsulas, itens obrigatórios de segurança, headlamp e fui.

Os primeiros 10k que eram deliciosos, na orla e com sol,  alinhei com a Drika e o Bene, pessoas mais conservadoras e conhecedoras da prova pois estava com medo da noite chegar,  e procurei  ter o  cuidado de me poupar e conseguir chegar bem na parte difícil da corrida.

No começo da subida me sentia muito bem, encontrei meu amigo Weder e  um leitor do blog, o Eduardo, que me disse algo que deu mta força no psicológico naquele momento: pensa como seus treinos de madrugada estão valendo à pena.

Fiquei alguns minutos pensando naquilo e me senti ainda mais forte, o medo do que vinha pela frente estava cada vez menor.

Logo mais adiante alinhei com uns caras de asfalto mais rápidos, então começou a escurecer e entramos numa trilha meio técnica de subida. Foi ali que conheci o Cesar, um dentista de BH que posso dizer que foi meu anjo da guarda nos 50k, o instinto me disse pra ir na dele que eu passava de ano. E fui.

Single track, ele na frente eu atrás, esquecemos a distância e o tempo e acompanhávamos somente o ganho de elevação pelo Garmim. Saímos do nível do mar e o pico mais alto erá em 726 metros.

Já era noite e as head lamps ligadas.

No primeiro PC reabastacemos as garrafas, peguei um punhado de uva passa e amendoim, bem glamourosa agachei ali mesmo na frente de todo mundo pra fazer um xixi e seguimos, desta vez com mais uma pessoa conosco: a Ana Lúcia de Jundiaí.

Novamente uma carga de energia: Ana me perguntou se eu era a Paula que viajou e não correu e fiquei animada, fiquei mto feliz que ela conhecia o blog e aquilo me deu ainda mais força mental.

Então chegou o momento mais maravilhoso de toda a prova, a CEREJA DO BOLO: Praia de Castelhanos deserta e numa noite de SUPERLUA ou PERIGEU, um  momento em que a Lua se coloca na posição de máxima aproximação da Terra e que acontecerá novamente daqui a 18 anos!

Me pergunto então como é que ninguém nos avisou sobre isso, tenho certeza que com um PLUS desse muitas pessoas teriam deixado seus medos numa caixa e se jogado nessa com toda a força que encontrassem!!!!

Ali agradeci de todo o coração o privilégio de estar contemplando aquilo tudo e confesso que chorei. O cadarço de elástico que resolvi testar no dia da prova estrangulava meu pé mas nem a dor me incomodava mais, era tudo tão lindo e eu tava tão tranquila e feliz por ter a Ana e o Cesar comigo ali que nada doía.

Foram uns 2,5k de praia e lua e ao final tinha um PC com água, barras de proteína, crianças nos ajudando, o Km era 28 e a hora era de jantar então comi o purê de batata, dei um pra Ana, reabastacemos e continuamos os 3.

Andando, correndo, trotando, num ritmo bom e tranquilamente possível de completar a prova abaixo de 7 horas.

Então quando chegou a parte mais crítica da prova e eu me sentia muito forte, as pernas firmes e a cabeça muito tranquila, decidi apertar o passo e seguir adiante.

Subi a trilha com sangue nos olhos, na unha, de gatinha. passei uns 4 ou 5 caras, gritei, falei palavras de baixo calão e cheguei na estrada de terra!

Subida que segue. Encontrei a Ju Salviano, a Tomiko e a doida da Vera Saporito, mãe de família que tava correndo os 80k e gritei Amiga, é você???

Eu tinha duas garrafas de água,  uma quase vazia e  uma cheia, dei a cheia pra Vera e sentei a bota.

Desta vez era eu e a headlamp: foi um dos poucos momentos que senti medo de verdade pois não via ninguém na frente nem atrás de mimCorri dos barulhos, dos vultos, de tudo que estava acontecendo naquele breu pois a única coisa que me restava fazer era correr do que me metia medo!! Nem a Lua dava mais para ver de tanta árvore.

E corri o mais forte que pude! Corri de medo! E chorei, chorei pq não acreditava que tinha toda quela força e estava com medo das corujas e de seus barulhos! Descobri que não gosto de coruja!!

Cheguei no topo da segunda subida feito doida e  encontrei alguns amigos do Núcleo Aventura que ficaram meio assustados qdo me viram chegando do nada e até me perguntaram se havia subido correndo.

Foi demais, ali senti que tinha um monstrinho dentro de mim, sabem?

Não fazia a menor idéia de que horas eram nem em quanto tempo completaria a prova pois meu Garmim me deixara na mão no km 36,  mas sabia que  estava pronta para meter a bota e correr o mais forte que pudesse para chegar logo!

Corri uns 5km com os meninos de Núcleo então busquei mais um pouco de forças e abri deles, estava acompanhada de um outro menino que foi comigo até o km 47.

Não sei por que ainda me sentia tão bem, talvez as jujubas FINI do Mickey tenham sido milagrosas, coloquei um punhado no ziplock que levei no meio dos peitos e comia umas balinhas a cada 10 minutos.

Bom, sei que dei um cacete nos últimos 3km.  Segui a dica do meu amigo Vicent Sobrinho para focar nas costas do adversário e nessas busquei três caras e uma mulher no último KM.

 

E assim foi.

Fechei os 50km em 06:09, muito feliz e abaixo do que esperava.

Tenho consciência que acabei a prova confortável e sobrando um bocadinho mas não me arrependo de não ter ousado, além de ter sido minha segunda prova de 50k , foi  a primeira vez sem luz do dia (nunca nem treinei de noite!)

50km é muito chão e acredito piamente que a chave do sucesso da evolução é ser humilde e cuidadosa, principalmente respeitando a montanha, claro que um dia quero dominar a distância e quem sabe até ir além (Oi, 80KM!!) , mas hoje prefiro respeitá-la um pouco mais.

Fiquei em 3 lugar na Faixa Etária e 9 no geral, muito acima do que eu esperava, que no caso era completar a prova em 8 horas devido ao terror que me colocaram.

Enfim, quero agradecer aos meus anjos da guarda Ana Lúcia e Cesar que me fizeram companhia, ao meu treinador (= ^..^=)  , meus amigos (especialmente a Cição Pau no Cat Crew), família e leitoras que amo tanto, aos parceiros do blog que me apoiam super e principalmente ao universo por ter conspirado para que eu e tantos outros corredores que pudéssemos desfrutar disso tudo. RRaso, obrigada pela mochila de hidratação!!!

Exceto pela troca de horário que achei PÉSSIMO, a organização da prova foi boa, sinalização perfeita, muito staff, hidratação, tudo nos conformes.  Ah, faltou também nos avisar que aconteceria o fenômeno da SUPER LUA, NÉ??

E por fim, não posso deixar de dar parabéns para os monstros que correram os 80km, dizer que quero muito ser igual à vcs quando crescer, além de contar que foi um enorme prazer dirigir o carro de apoio no começo da prova de vocês, poder admirar  meus amigos queridos e  ali ter a certeza de que vcs são FODA.

PAU NO CAT que eu tô QUENTE!!

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